As zonas de jogo em Portugal
Em Portugal o jogo de base territorial só é permitido dentro de zonas de jogo criadas por lei. Não existem casinos fora destas zonas, e a exploração de cada uma é atribuída por concessão do Estado a uma empresa, mediante concurso público.
Estão criadas dez zonas: Açores, Algarve, Espinho, Estoril, Figueira da Foz, Funchal, Porto Santo, Póvoa de Varzim, Tróia e Vidago-Pedras Salgadas. Destas, a de Porto Santo não está concessionada, pelo que não tem casino em funcionamento.
A supervisão de todo o sector cabe ao SRIJ — Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos, do Turismo de Portugal, que é o mesmo organismo que licencia e fiscaliza os casinos online. Salas físicas e sites de jogo respondem, portanto, ao mesmo regulador.
Uma zona de jogo pode ter mais do que uma sala. É o caso da zona do Estoril, que inclui o Casino Estoril e o Casino Lisboa, e da zona do Algarve, que abrange três casinos.
Lista dos casinos em actividade
| Zona de jogo | Casino | Onde fica |
|---|---|---|
| Estoril | Casino Estoril | Estoril, Cascais |
| Estoril | Casino Lisboa | Parque das Nações, Lisboa |
| Póvoa de Varzim | Casino da Póvoa | Póvoa de Varzim |
| Espinho | Casino de Espinho | Espinho |
| Figueira da Foz | Casino Figueira | Figueira da Foz |
| Algarve | Casino de Vilamoura | Quarteira, Loulé |
| Algarve | Casino da Praia da Rocha | Portimão |
| Algarve | Casino de Monte Gordo | Vila Real de Santo António |
| Vidago-Pedras Salgadas | Casino de Chaves | Chaves |
| Tróia | Casino de Tróia | Grândola, Península de Tróia |
| Funchal | Casino da Madeira | Funchal, Madeira |
| Açores | Casino dos Açores | Ponta Delgada, São Miguel |
| Porto Santo | — (zona não concessionada) | — |
O Grupo Solverde explora cinco destas salas: Espinho, Chaves, Vilamoura, Praia da Rocha e Monte Gordo. O grupo Estoril-Sol está associado à zona do Estoril, com o Casino Estoril e o Casino Lisboa. Desde 1 de maio de 2026, o Casino da Póvoa é explorado pelo grupo francês Barrière, que sucedeu à Varzim Sol, também do grupo Estoril-Sol. As restantes salas têm operadores próprios.
A lista de salas em funcionamento pode alterar-se com a renovação das concessões e com obras nos edifícios. Antes de fazer viagem, confirme sempre no site do casino que pretende visitar.
As nossas páginas de casinos
Temos páginas dedicadas com horários actualizados, morada, contactos, jogos disponíveis e regras de acesso destas salas:
- Casino Estoril — habitualmente descrito como o maior casino da Europa em área, com Salão Preto e Prata, auditório e galeria de arte. Aberto desde 1931.
- Casino Lisboa — no Parque das Nações, o mais recente dos casinos da zona de Lisboa e o mais fácil de alcançar de metro.
- Casino Figueira — o mais antigo em funcionamento contínuo da Península Ibérica, aberto desde 1884.
- Casino Vilamoura — o principal casino do Algarve central, junto à marina, com cerca de 500 máquinas de jogo.
Nas restantes salas, a informação de horários e jogos está nos sites dos respectivos operadores — e é sempre a fonte mais fiável, porque muda com frequência.
Como nasceram os casinos portugueses
Os casinos portugueses não nasceram como casas de jogo. Nasceram, quase todos, como equipamentos de estâncias balneares e termais — os teatros, salões e clubes que as elites do século XIX frequentavam quando iam a banhos. O jogo veio depois, e veio agarrado a esses edifícios.
O caso mais claro é o da Figueira da Foz. O que hoje é o Casino Figueira abriu em 1884 como Theatro-Circo Saraiva de Carvalho, o maior espaço de espectáculos do país na altura, ao serviço de uma das grandes praias da aristocracia portuguesa e espanhola. Só na viragem do século se converteu em casa de jogo, com o nome de Casino Peninsular.
A mesma lógica explica a geografia das zonas de jogo, que à primeira vista parece arbitrária:
- Estoril, Póvoa de Varzim, Espinho e Figueira da Foz são praias;
- Vidago-Pedras Salgadas é uma zona termal;
- Algarve, Tróia, Funchal e Açores são destinos turísticos.
Nenhuma zona de jogo foi criada num centro urbano industrial — foram todas criadas onde havia veraneio.
A legalização e o modelo de zonas
O jogo de fortuna ou azar foi regulado em Portugal a partir de 1927, com um modelo que se manteve na sua ideia central até hoje. O jogo é proibido, excepto dentro de zonas de jogo delimitadas por lei e exploradas em regime de concessão. Não é uma actividade livre sujeita a licenciamento — é um monopólio territorial atribuído pelo Estado.
Foi por essa altura que se constituiu a Sociedade do Grande Casino Peninsular, na Figueira, e que arrancaram os projectos que dariam origem ao Casino Estoril, inaugurado em 1931 depois de uma construção iniciada em 1916.
O Estoril e a Segunda Guerra
O período que fixou os casinos portugueses no imaginário internacional foi o da Segunda Guerra Mundial. Com Portugal neutro, o Estoril tornou-se ponto de passagem de diplomatas, casas reais europeias no exílio, refugiados e agentes secretos dos dois lados — e o casino era onde essa gente se cruzava.
É desse ambiente que vem a associação a Casino Royale: Ian Fleming, então na inteligência naval britânica, esteve no Estoril em 1941 no seguimento do agente duplo Dusko Popov. A ligação directa entre uma noite concreta de jogo e o enredo do romance pertence mais à lenda do que ao registo histórico. Ver a página do Casino Estoril.
O jogo online, a partir de 2015
Durante quase noventa anos, jogo a dinheiro em Portugal significou casino físico. Isso mudou em 2015, com a entrada em vigor do regime jurídico dos jogos e apostas online, que criou o licenciamento de operadores à distância e entregou a sua supervisão ao SRIJ.
O resultado é o quadro actual: dois canais e o mesmo regulador, mas dois pedidos de exclusão diferentes. A autoexclusão online faz-se no RAEJO; a proibição de acesso às salas dos casinos pede-se à parte, ao SRIJ. Quem quer afastar-se dos dois tem de fazer os dois.
Como funcionam as concessões
Cada zona de jogo é explorada por uma empresa que ganhou um concurso público e assinou um contrato de concessão com o Estado. Esse contrato fixa a duração, as contrapartidas financeiras e as obrigações de investimento — nomeadamente em animação turística e cultural da região.
O modelo tem uma consequência que explica boa parte do que se vê nas salas: os casinos portugueses são obrigados a fazer mais do que jogo. Os espectáculos, as galerias de arte, os auditórios e os programas culturais não são um extra generoso — são contrapartidas contratuais da concessão.
O quadro concessionário foi renovado em 2026. Os contratos das zonas do Algarve, de Espinho e da Póvoa de Varzim foram assinados a 1 de maio, por 15 anos, renováveis por mais cinco. A Solverde, sem concorrência nos dois concursos, ficou com o Algarve e com Espinho, pelo qual pagou 35,99 milhões de euros de contrapartida inicial. No Algarve, entrega ao Estado 30% das receitas brutas do jogo.
A Póvoa de Varzim mudou de mãos: a concessão passou para a PDV – Sociedade de Turismo e Lazer, do grupo Lucien Barrière. Somadas as três zonas, o encaixe mínimo previsto para o Estado passa de mil milhões de euros em duas décadas, segundo a Executive Digest.
Para o visitante, a renovação de concessões pode significar obras e alterações de oferta nas salas envolvidas ao longo dos próximos anos. É mais uma razão para confirmar horários e jogos antes de se deslocar.
Regras de acesso comuns a todos
Independentemente da sala, as regras de entrada nas salas de jogo portuguesas são as mesmas, porque decorrem da lei:
- Idade mínima de 18 anos, sem excepções.
- Documento de identificação obrigatório — cartão de cidadão, passaporte ou título de residência. É pedido à entrada da sala de jogo.
- Registo de entrada nas salas de jogo, como determina a lei.
- Proibição de acesso — quem a pediu ao SRIJ, ou está interdito, não entra em nenhuma sala. A autoexclusão online (RAEJO) é um pedido diferente e, sozinha, não fecha a porta dos casinos.
- Fotografias e filmagens proibidas nas salas de jogo, em todas as casas.
- Vestuário — não é admitido vestuário de praia. O nível de exigência varia: as casas com tradição mais formal, como o Estoril, são mais rigorosas do que as salas de zona turística.
A proibição de acesso às salas pede-se ao balcão do SRIJ (nos casinos ou na sede, em Lisboa), por correio ou por e-mail. Termina sozinha no fim do prazo pedido e, enquanto vigora, não pode ser revogada.
Que jogos se encontram nas salas portuguesas
A oferta varia de casa para casa, mas há um conjunto que é comum à generalidade das salas:
| Jogo | Tipo | Margem da casa típica |
|---|---|---|
| Máquinas de jogo | Slots e vídeo | Varia por máquina; sempre superior a zero |
| Banca francesa | Dados, três dados | 1,59%, igual nas três apostas |
| Blackjack | Cartas, com decisões | Baixa com estratégia básica correcta |
| Roleta europeia | 37 casas, um zero | 2,70% |
| Roleta americana | 38 casas, duplo zero | 5,26% |
| Ponto e banca | Cartas, sem decisões | Baixa na banca; muito alta no empate |
| Poker | Contra outros jogadores | A casa cobra rake, não joga contra si |
A banca francesa merece destaque por ser o jogo de origem portuguesa e por ter uma das margens mais baixas da sala. Joga-se com três dados — não dois — e tem apenas três apostas possíveis. Ver o guia de banca francesa.
Se a sala tiver as duas roletas, escolha sempre a europeia: o duplo zero da versão americana quase duplica a margem da casa sem alterar os pagamentos. Ver os guias de roleta e de blackjack.
Casino físico e casino online
O que o casino físico dá:
- A experiência da sala, dos crupiês e das mesas com outras pessoas
- Restaurantes, espectáculos e programação cultural
- Um limite natural: fecha, e só se gasta o que se leva
- Jogos tradicionais com crupiê real, sem intermediação de software
O que o casino online dá:
- Disponível a qualquer hora, sem deslocação
- Catálogo de jogos muito maior, sobretudo em slots
- Modo de demonstração para experimentar sem apostar dinheiro
- Ferramentas de limite de depósito e histórico de movimentos na conta
Os dois são legais em Portugal e respondem ao mesmo regulador. A diferença prática mais relevante é a do controlo: numa sala, o limite é o dinheiro que levou no bolso; online, o limite tem de ser definido por si, nas ferramentas da conta. Ver a lista de casinos online licenciados.
Vários dos grupos que exploram estas salas têm também casino online licenciado. É o caso do Grupo Solverde, cujo Solverde.pt opera com as licenças do SRIJ n.º 010 e 024.
- 60 rodadas grátis no registo
- 6.000+ jogos de casino
- Mesas de 0,10€ a 1.000€
Como escolher qual visitar
Se a ideia é conhecer um casino português e não apenas jogar, os perfis são bastante diferentes entre si:
- Para a história e a arquitectura — Casino Figueira, aberto desde 1884, com as salas originais e as pinturas de tecto.
- Para a dimensão e a programação cultural — Casino Estoril, habitualmente descrito como o maior da Europa em área, com auditório e galeria de arte.
- Para a facilidade de acesso — Casino Lisboa, no Parque das Nações, servido por metro e comboio.
- Para uma noite no Algarve — Casino Vilamoura, junto à marina, com forte sazonalidade turística.
- Para uma sala mais tranquila — as salas fora dos grandes centros e fora da época alta, onde se joga com muito mais calma.
Um conselho prático que vale para todas: telefone antes. Os horários das salas de jogos tradicionais são diferentes dos das salas de máquinas. O número de mesas abertas varia com o dia da semana e a época do ano. Cinco minutos ao telefone evitam uma viagem inútil.
Jogo responsável
Numa sala de casino o dinheiro converte-se em fichas e há poucas referências de tempo — duas características que não são acidentais. Vale a pena entrar com regras definidas de fora.
- Decidir o valor máximo antes de entrar e levar apenas esse valor.
- Definir uma hora de saída e cumpri-la.
- Nunca tentar recuperar perdas aumentando apostas.
- Fazer pausas e não jogar sob efeito de álcool.
- Se o jogo deixar de ser entretenimento, pedir ao SRIJ a proibição de acesso às salas e, para o jogo online, a autoexclusão no RAEJO — são dois pedidos separados.
Só maiores de 18 anos podem jogar. Se precisar de ajuda, a Linha 1414 do ICAD, que sucedeu ao SICAD, é gratuita e confidencial. Consulte também a nossa página de jogo responsável.
















